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Panorama do Coprocessamento – Brasil 2017

Atualizado em 22/11/2018

Um dos principais resíduos aproveitados no coprocessamento são os pneus inservíveis. O descarte inadequado de pneus gera sérios problemas ambientais, sociais e de saúde pública. Expostos a céu aberto, os pneus velhos podem levar até 100 anos para se degradar, propiciando a reprodução de insetos causadores de doenças graves, como dengue, zika e chikungunya, além de representarem risco de incêndios.

A destinação final em fornos de cimento possibilita o descarte de um grande volume de pneus inservíveis, tanto inteiros quanto picados. Um único forno, com capacidade de produção de 1.000 toneladas/dia de clínquer, pode consumir até 5.000 pneus por dia, de forma segura e eficiente. Os pneus apresentam um conteúdo energético maior que o do carvão e, quando queimados em ambiente controlado, não há aumento nas emissões, podendo em alguns casos haver até redução.

Abrangência

Em 2016, das plantas integradas que possuem fornos rotativos para a produção de clínquer, 36 são plantas com um ou mais fornos licenciados para o coprocessamento de resíduos o que representa quase 70% da capacidade instalada de produção.

 

 

Resíduos coprocessados até 2016

No período de 2000 a 2016 houve aumento na destruição de resíduos em fornos de cimento da ordem de 500%. Constata-se uma evolução da quantidade de resíduos utilizados ao longo dos anos com um grande avanço a partir de 2006. Em 2016, atingiu-se o patamar de 940 mil toneladas de resíduos coprocessados, com declínio em relação aos anos imediatamente anteriores.

As 297 mil toneladas de pneus inservíveis coprocessados em 2016 correspondem a cerca de 59,4 milhões de pneus (o peso médio estimado por pneu automotivo é de 5 kg). Perfilados, os pneus dariam 1,2 volta ao redor do mundo.

Na coleta dos dados, a pesquisa adotou como referência os padrões internacionais do programa Getting the Numbers Right (GNR) desenvolvido pela Cement Sustainability Iniciative (CSI) do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com a participação de mais de 930 plantas de cimento ao redor do mundo.

 

Perfil dos resíduos coprocessados

Do total de resíduos coprocessados em 2016, os combustíveis alternativos (resíduos + biomassa) representaram 85% e as matérias-primas alternativas, 15% (em toneladas). O índice de substituição térmica no ano foi de 11,3%.

Pela pesquisa, constata-se que há potencial para coprocessamento de 2,5 milhões de toneladas/ano de resíduos pelas 38 fábricas de cimentos licenciadas para a atividade, o que poderia mais que dobrar a quantidade anual coprocessada.

De todos os resíduos, os RSU (resíduos sólidos urbanos) aparecem como os com maior potencialidade de crescimento. Na Europa sua utilização é expressiva, mas no Brasil depende-se de regulamentação específica para coprocessamento desse tipo de resíduo. É relevante também o potencial de crescimento do coprocessamento de biomassa e medicamentos vencidos, a depender de ações de estímulo e entendimentos a serem desenvolvidos, ambas modalidades contribuindo para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

 

Legislação

O coprocessamento é uma atividade regulamentada em âmbitos federal e estadual. Em âmbito federal, destacam-se as seguintes resoluções:

  • Resolução CONAMA 264/99 – Coprocessamento em Fornos de Clínquer
  • Resolução CONAMA 316/02 – Sistemas de Tratamento Térmico –
  • dioxinas e furanos
  • Resolução CONAMA 258/99 – Pneus

Os Estados que possuem regulamentações próprias são: Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

 

 

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