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Mapeamento Tecnológico do Cimento 2050

 

O debate sobre mudanças climáticas é questão importante para a indústria de cimento, uma vez que a emissão de COé inerente ao seu processo de produção. Conhecer a projeção de emissões setoriais a médio e longo prazo e seu respectivo potencial de redução é essencial para avançar na direção de uma economia de baixo carbono.

Mas o Mapeamento Tecnológico do Cimento é apenas uma das iniciativas da indústria em defesa do meio ambiente. Ao seu lado está a adoção do coprocessamento de resíduos industriais, que contribui para preservar recursos não renováveis, reduzir o impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e diminuir o passivo ambiental dos aterros.

Roadmap Brazil

Atentos a isso, a ABCP e o SNIC propuseram o desenvolvimento do Projeto Cement Technology Road Map Brazil 2050 em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Cement Sustainability Initiative (CSI), do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). Assim, a indústria brasileira de cimento iniciou em fins de 2014 um roteiro com o desafio de encontrar soluções para reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono, que já são as mais baixas do mundo.

No caso particular da indústria brasileira de cimento, a combinação de várias ações, algumas iniciadas há décadas, outras mais recentemente, ajudou a posicionar o setor brasileiro de cimento entre os mais eficazes em termos e emissão de CO2por tonelada de cimento produzido, de acordo com a CSI.

O objetivo do estudo abordado pelo Roadmap é traçar a projeção do total das emissões provenientes da produção de cimento, identificando as principais alternativas para reduzir essas emissões e minimizar o impacto do setor nas mudanças climáticas. As propostas de alternativas de redução que estão em andamento são focadas em quatro pilares:

  • ► eficiência energética
  • ► combustíveis alternativos
  • ► substitutos de clínquer
  • ► captura e armazenamento de carbono

Os estudos estão avançados, sendo preparados por uma equipe de renomados especialistas das principais universidades e centros técnicos no Brasil, proporcionando, além do conhecimento internacional, uma visão geral das características, limitações e potencialidades locais. Para cada uma das quatro propostas estão sendo considerados:

  • ► Cenário atual das alternativas: investigação das principais alternativas de redução, sua disponibilidade, disposição geográfica etc.
  • ► Cenário futuro das alternativas: projeção de crescimento potencial e disposição geográfica destas principais alternativas e estimativa das emissões evitadas etc.
  • ► Inovação: perspectivas de novas alternativas de redução e inovações tecnológicas em relação às já existentes.
  • ► Barreiras: principais barreiras (geográficas, técnicas, econômicas, legais, sociais, políticas etc.) que possam limitar o crescimento das alternativas abordadas.
  • ► Recomendações: desenvolvimento de série de recomendações para todas as partes interessadas (indústria, governo, academia, sociedade), para ajudar a superar as barreiras acima e fomentar essas alternativas.

Os resultados e conclusões dos documentos técnicos estão previstos para segundo semestre de 2018, juntamente com os modelos de projeção e redução de emissões, executados por especialistas da IEA.

 

 

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ABCP no 11º CSI Forum

Da esquerda para a direita: Paulo Camillo Penna (presidente do SNIC e da ABCP); Lívia Ballot de Miranda (Votorantim); Álvaro Lorenz (Votorantim); Marcelo Pecchio (ABCP) e Gonzalo Visedo (SNIC)

A ABCP participou, entre os dias 25 e 27 de setembro de 2017, do 11º Forum da Cement Sustainability Initiative (CSI), realizado em Nova Delhi, Índia. Nessa reunião foram debatidos os 17 Objetivos de Sustentabilidade (Sustainability Development Goals – SDGs) definidos pela Organização das Nações Unidas para o ano de 2030 e o papel da indústria de cimento.

O objetivo dessas discussões é articular uma visão comum e mapear o nível de impacto no setor, e também elencar as possíveis contribuições da indústria de cimento para a realização dos SDGs. Nesta oportunidade também se realizou a reunião dos parceiros de comunicação da CSI, na qual além das questões do posicionamento da indústria frente aos SDGs foram discutidas e atualizadas as informações relativas aos roadmaps do Brasil, da Ficem e da nova versão do roadmap global, que está em fase final de elaboração.

 

 

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Seminário sobre coprocessamento em Curitiba

A destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento, técnica conhecida como coprocessamento, é o tema central de um seminário que reuniu no dia 18/04/2018 mais de 100 pessoas – entre autoridades, executivos e técnicos – em Curitiba-PR. Realizado pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o Seminário Coprocessamento de Resíduos na Indústria de Cimento foi uma promoção do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e contou com o apoio de três grupos industriais da área de cimento: Itambé, Supremo Secil e Votorantim Cimentos.

As boas vindas do evento coube a Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC, juntamente com Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que foram acompanhados na solenidade de abertura por autoridades da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad/MG), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Durante a manhã, a programação ofereceu informações relevantes sobre a prática do coprocessamento e sua contribuição para a redução dos gases de efeito estufa, bem como as ações da indústria do cimento em favor do meio ambiente – caso, por exemplo, da palestra “ABCP e SNIC – RoadMap”, proferida por Gonzalo Visedo, analista de Meio Ambiente do SNIC.

Uma abordagem sobre a normalização técnica na área coube a Milton Norio Sogabe, gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que tratou do tema “Norma para coprocessamento de CDRU no Estado de São Paulo”, e Antônio Augusto Melo Malard, subsecretário de Regularização Ambiental da Semad/MG, que falou sobre a “Revisão da DN 154 – Coprocessamento de resíduos”.

À tarde, a programação trouxe Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que destacou a experiência paranaense na palestra “Licenciamento de resíduos para coprocessamento”, e Regina Froener, chefe do Serviço de Licenciamento de Atividades Industriais em Implantação – SELAI, da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul), que abordou “Gerenciamento de resíduos – Portaria 16”. Por fim, o Estado de Santa Catarina foi representado por Fábio Castagna da Silva, gerente de Gestão de Processos Ambientais da FATMA (Fundação Meio Ambiente de Santa Catarina), que apresentou o “Manifesto eletrônico de transporte de resíduos”.

Após as apresentações, o seminário seguiu com debates sobre os temas tratados, sob a coordenação do gerente de Relações Institucionais da ABCP, Mário William Esper.

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Coprocessamento aproveita diferentes tipos de resíduos

 

Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da ABCP

Em 2015, a indústria nacional de cimento coprocessou 1,5 milhão de tonelada de resíduos, o que representa substituição de 13,4% da matriz de combustíveis. Entretanto, o setor tem potencial de atingir a ordem de 2,5 milhões de toneladas e 25% de substituição. “Para esse avanço, é importante que haja o estabelecimento de políticas públicas que incentivem a atividade. Há países na Europa em que os índices chegam a 100%”, informa Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

O coprocessamento é uma técnica utilizada na fabricação do cimento que reduz a quantidade de resíduos gerada durante o procedimento. O método é executado por meio da queima de materiais em fornos de cimento, o que promove a preservação de recursos naturais por substituir as matérias-primas tradicionalmente empregadas. Há mais de 25 anos, a solução é utilizada e regulamentada em diversos países. No Brasil, as primeiras iniciativas ocorreram no início da década de 1990.

 

“Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições
que comprovam que a técnica do coprocessamento
não altera a qualidade do produto final.”
Fernando Dalbon

Aproveitamento de materiais

Os materiais passíveis de aproveitamento no coprocessamento são variados, com destaque para pneus inservíveis – aqueles que chegaram ao fim da vida útil e precisam ser descartados; para o blend de resíduos – mistura de componentes industriais; para as borrachas; para o óleo usado; e para as biomassas – casca de arroz, cavaco de madeira e lama de tratamento de esgoto. Atualmente, os elementos mais aproveitados são os pneus inservíveis. “No ano passado, o material representou 43% do total de resíduos com potencial energético utilizado, seguido do blend, com 41%”, relata Dalbon.

O cimento resultante atende às normas técnicas específicas da ABNT e pode ser encontrado no mercado. Como as suas características não são alteradas, o produto é comercializado normalmente. “Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições que comprovam que a técnica não altera a qualidade do produto final”, diz Dalbon. A garantia da qualidade está presente em todas as legislações sobre o assunto.

Procedimento

O coprocessamento é realizado pelas indústrias de cimento que têm fornos rotativos para a produção do clínquer (matéria-prima básica do cimento). Esses equipamentos devem ser devidamente licenciados e monitorados pelos órgãos ambientais competentes. “Para isso, necessitam atender aos procedimentos e critérios técnicos e operacionais preconizados pelas legislações federal e estadual”, ressalta o especialista.

O calcário e a argila são as matérias-primas tradicionalmente queimadas nos fornos de cimento para a obtenção do clínquer, que, depois de resfriado e devidamente moído com outras adições, transforma-se nos diferentes tipos de cimento Portland. O forno rotativo de clínquer é o mais indicado para o tratamento de resíduos graças às suas altas temperaturas; ao ambiente oxidante e alcalino; à estabilidade térmica; e ao longo tempo de residência (referência ao tempo em que os gases permanecem dentro do forno).

“A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço
de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva,
associada com a recuperação de energia e materiais.”

Fernando Dalbon

As temperaturas internas do forno, no qual o resíduo é inserido, atingem cerca de 2.000ºC. “Devido ao calor extremo, os compostos orgânicos presentes nos materiais são destruídos com eficiência de 99,999%”, explica o engenheiro, destacando que os inorgânicos são incorporados à estrutura cristalina do clínquer, não gerando cinzas.

Vantagens

Além da preservação de recursos não renováveis, o coprocessamento proporciona outras vantagens, como a redução do impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e a diminuição do passivo ambiental dos aterros. “A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva, associada com a recuperação de energia e materiais. A utilização dos fornos de cimento representa importante ferramenta de gestão ambiental”, finaliza Dalbon.

Fonte: Redação AECweb / e-Construmarket

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Em vez de aterros, “lixo industrial” vira combustível para fabricação do cimento

De acordo com o diretor de Tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Yushiro Kihara, em 2015, a indústria de cimento do Brasil destruiu em seus fornos (coprocessou) cerca de 1,5 milhão de toneladas de resíduos, representando uma substituição de 13,4% da matriz de combustíveis do setor. Contudo, a indústria cimenteira brasileira possui, atualmente, aproximadamente o dobro do potencial de destruição de resíduos.

Pneus

Entre os resíduos destruídos, a indústria do cimento do Brasil coprocessou mais de 301 mil toneladas de pneus. Esse número equivale a cerca de 60.270 mil pneus automotivos inservíveis destruídos. Se enfileirados, essa quantidade de pneus daria para dar uma volta ao mundo com folga.

O coprocessamento é a tecnologia em que o mesmo forno que é usado para fazer cimento é também utilizado para destruir resíduos e material inservível. Neste processo, os resíduos industriais e os pneus são usados como combustíveis da chama dos fornos e também substituto de matéria prima (componentes do calcário e da argila e minério de ferro).

Esse processo é totalmente controlado por agências ambientais e não altera a qualidade do cimento. Ao contrário, é uma tecnologia consagrada mundialmente e uma das responsáveis para que a indústria cimenteira brasileira seja considerada hoje uma das mais ecoeficientes do mundo, de acordo com o WBCSD – CSI. Essa é uma alternativa significativa para a destruição segura de resíduos causadores de passivos ambientai e doenças. O coprocessamento também contribui para mitigação das emissões de CO2.

Este foi um dos temas abordados durante o 7º Congresso Brasileiro do Cimento, que aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de junho de 2016, em São Paulo.

coprocessamento-h

 

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Panorama do Coprocessamento. Brasil 2017

Panorama do Coprocessamento. Brasil 2017

 

 

O Panorama do Coprocessamento no Brasil (2017), publicado pela ABCP, reflete a abrangência da atividade de coprocessamento no país, a distribuição participativa dos tipos de resíduos coprocessados, a redução do impacto ambiental que essa solução gera e os os volumes coprocessados pela indústria do cimento em 2016.

Nos links abaixo, é possível acessar gratuitamente o conteúdo da publicação:

  • Ebook Panorama do Coprocessamento. Brasil 2017 (e-book)
  • Panorama do Coprocessamento. Brasil 2017 (arquivo PDF 6 Mb)

Veja também as edições 2015 e 2016 do relatório:

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Brasil fará Mapeamento Tecnológico do Cimento

Brasil fará Mapeamento Tecnológico do Cimento

Na foto: Renato Giusti (ABCP), Cecilia Tam (Agência Internacional de Energia – IEA), Philippe Fonta (WBCSD-CSI) e José Otávi0 Carvalho (SNIC) 

 

O Conselho Mundial de Desenvolvimento Sustentável-Iniciativa do Cimento Sustentável (WBCSD-CSI, na sigla em inglês) e a Agência Internacional de Energia (IEA) lançaram oficialmente no dia 12 de setembro de 2014 o “Mapeamento Tecnológico do Cimento – Brasil”. O projeto será desenvolvido junto com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Conhecido internacionalmente como Cement Technology Roadmap, esse levantamento visa mapear atuais e potenciais tecnologias que contribuam para a redução do consumo de energia e das emissões de gases de efeito estufa pela indústria do cimento, atendendo à viabilidade econômica e às políticas públicas relacionadas ao tema.

Seguindo o mesmo processo utilizado para o desenvolvimento dos mapeamentos tecnológicos do cimento já desenvolvidos – em âmbito global em 2009 e na Índia em 2013 -, o projeto será construído sobre a avaliação das tecnologias existentes e futuras e seu potencial tendo como horizonte o ano de 2050.

Será baseado no conhecimento técnico do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), que irão desenvolver trabalhos técnicos apropriados que ilustram estas tecnologias nas áreas de: desenvolvimento tecnológico, eficiência energética, combustíveis alternativos, adições para substituir clínquer, captura, armazenamento e utilização do carbono, entre outros.

O Roadmap Brasil será uma ferramenta que vai contribuir para a evolução da indústria nacional do cimento, com sugestões e recomendações dos setores governamentais, financeiros, acadêmicos e civis. Na Índia, o projeto contou com o apoio do IFC (International Finance Corporation) – Banco Mundial. O desenvolvimento do Roadmap Brasil conta com apoio total de todos os associados do SNIC e da ABCP.

Iniciativa pioneira no país, o Mapeamento Tecnológico do Cimento-Brasil irá mostrar um retrato da atual situação do setor e indicar caminhos a serem seguidos pela indústria para mitigar ainda mais as emissões de gases de efeito estufa.

Os organizadores do projeto estão buscando a parceria com universidades e centros de pesquisa de referência, conferindo um caráter ainda mais marcante de independência ao estudo.

 

Fonte: Valor Econômico – 12/09/2014 – http://www.valor.com.br/empresas/3692490/setor-mapeara-gasto-energetico-e-emissoes

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A indústria de cimento e o meio ambiente


Reportagem: Silvério Rocha / Revista Prisma ed. 52

Fotos: Divulgação

 

O engenheiro franco-belga Philippe Fonta tem longa experiência e aprofundado conhecimento quando o assunto é desenvolvimento sustentável. Diretor-executivo desde 2006 do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável/Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento (WBCSD/CSI) e, desde 2012, diretor de Eficiência em Energia em Edificações (EEB), outro grande projeto do WBCSD, ele esteve no Brasil, mais precisamente em São Paulo, para ministrar palestra na sexta edição do Congresso Brasileiro de Cimento, evento promovido neste mês de maio pela Associação Brasileira do Cimento (ABCP) e pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (Snic).

O tema foi, claro, a sustentabilidade na indústria de cimento, no mundo, na América Latina e no Brasil. A CSI conta atualmente com a participação de 24 players globais da indústria cimenteira, entre eles, algumas das principais companhias brasileiras. Na ocasião, concedeu esta entrevista à PRISMA, na qual teceu elogios às ações desenvolvidas pela indústria brasileira de cimento, que ocupa lugar de destaque no cenário internacional no quesito sustentabilidade. Mas Fonta foi claro: “É possível avançar mais no Brasil”.

 

Como surgiu e o que são o WBCSD e a CSI e quais são os seus objetivos?

O WBCSD surgiu em 1992, na esteira da Rio+20, criado inicialmente pelo empresário e filantropo suíço Stephan Schmidheiny, que acreditava que o mundo empresarial tem o papel fundamental de contribuir para o desenvolvimento sustentável. O WBCSD, então, tinha o objetivo inicial de dar voz a esse fórum empresarial no evento da ONU sobre o meio ambiente que ocorreu no Rio de Janeiro. Sua meta fundamental é a de galvanizar os principais líderes empresariais globais para auxiliar na criação de um futuro sustentável para os negócios, à sociedade e ao meio ambiente. Como cerca de 40% das emissões globais de CO2 vêm das atividades ligadas à construção e, nessa cadeia, a indústria de cimento é responsável por cerca de 5% das emissões, decidiu-se criar a CSI em 2002, a fim de ajudar a indústria mundial desse setor a aumentar seus índices de sustentabilidade. Hoje, integram a CSI 24 grupos globais da indústria de cimento, que operam em mais de cem países e são responsáveis por cerca de 30% da produção mundial de cimento. Os maiores grupos brasileiros fabricantes de cimento participam dessa iniciativa.Hoje, empresas de países como Índia e China estão presentes na CSI.

 

Quais são os instrumentos utilizados pela CSI para atingir seus objetivos?

A CSI sempre defendeu que a abordagem setorial para a mitigação das alterações climáticas pode efetivamente melhorar a resposta em grande escala para a mudança climática. Em 2009, publicamos os resultados de um exercício de modelagem, no qual demonstramos o potencial para grandes reduções de emissões de gases de efeito-estufa na indústria de cimento em todo o mundo através da adoção de uma abordagem política setorial. A CSI considera os mecanismos de mercado setoriais como a ferramenta mais eficaz e eficiente, como eles podem ser construídos com base nas prioridades nacionais e, assim, alavancar os esforços de redução de emissões existentes, enquanto os esforços de redução de emissões podem ser compensados com créditos negociáveis. Embora, em última análise um acordo climático global precisa ser colocado em prática, a CSI reconhece que as atividades de redução de emissões em larga escala podem começar em nível regional e /ou em cada país. Para ter sucesso, os mecanismos de mercado setoriais devem basear-se em uma medida consistente, o sistema (MRV) de relatórios e verificação para que seja possível a conexão posterior ao mercado global. As normas MRV devem ser harmonizadas em nível mundial ou, pelo menos, ser compatíveis e comparáveis, pois padrões divergentes levariam a preocupações sobre a qualidade ambiental dos créditos, A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) tem papel importante a desempenhar no desenvolvimento deste sistema MRV em escala mundial.

 

Mas o que são esses mecanismos de mercado setoriais?

Um mecanismo de mercado setorial consiste na redução de emissões de acordo com metas estabelecidas em conjunto por governos e empresas para setores da indústria. Ela é aplicada em nível regional ou nacional e inclui metas de redução de emissões setoriais, recompensadas por créditos negociáveis, desde que as emissões sejam reduzidas abaixo dos marcos de referência. Para implementar um mecanismo de mercado setorial, é necessário um banco de dados para coletar informações precisas e verificáveis sobre CO2 e o desempenho energético das instalações industriais a nível setorial. Nesta base, as métricas de desempenho setoriais podem ser desenvolvidas e expressas como objetivo de melhoria. Enquanto as métricas de desempenho devem, idealmente, ser as mesmas em nível mundial, os valores atribuídos a melhorias de desempenho pode ser definida a nível nacional / regional, de acordo com as capacidades técnicas e econômicas de um país ou região. A CSI está disposta e capaz de trabalhar com os governos para a elaboração de aspectos práticos de um sistema de participação do setor adequado e compromissos de carbono apropriados. Ela desenvolveu uma série de ferramentas que podem apoiar a ação: Uma metodologia comum MRV (“O CO2 Cimento e Protocolo de Energia”), utilizado hoje pela maioria da indústria cimenteira mundial; um banco de dados global sobre CO 2 e de desempenho energético para o setor ( “Getting the Numbers Right” ), para permitir a análise e avaliação comparativa de desempenho da indústria. Ela representa melhores dados do mundo disponíveis para qualquer setor, com cerca de 80% dos dados verificados de forma independente; e um roteiro de tecnologia mundial para o setor de cimento até 2050, avaliando a viabilidade técnica das várias alavancas de redução de emissões na produção de cimento. Este trabalho foi desenvolvido em conjunto com a Agência Internacional de Energia (AIE) e atualmente está sendo replicado na Índia

 

Isto quer dizer que um aspecto fundamental do trabalho da CSI é medir as emissões de carbono e o uso de tecnologias sustentáveis na indústria?

Sem dúvida. Nossa atividade é baseada nas informações que nos são passadas pelas indústrias de cimento associadas de todas as partes do mundo e, a partir delas, emitir os relatórios. Os principais itens monitorados são o consumo de água, de energia e matérias-primas e a quantidade de emissões. As informações são sigilosas e só são conhecidas pela empresa e o relatório é gerenciado por uma entidade independente. Eu mesmo não tenho acesso a elas individualmente. Com o relatório, podemos identificar quem está bem e quem não está. As empresas podem verificar pelos nossos relatórios como estão situadas em relação às demais e, a partir daí e caso necessário, adotar medidas para melhorar sua situação em termos de sustentabilidade. Temos clareza que outra questão importante é a de que as ações que desenvolvemos devem estar alinhadas em relação às prioridades nacionais. Para trabalhar melhor, é preciso medir a fim de fornecer números objetivos às empresas. Com as ações de mitigação dos impactos ambientais, as companhias podem obter créditos de carbono. Nosso banco de dados foi estabelecido em 2006 e, com ele, podemos demonstrar as emissões, ano a ano, em nível mundial e regional. Temos um resumo desses relatórios no nosso website (http://www.wbcsdcement.org), disponíveis para download.

 

E como estão as indústrias brasileiras de cimento em relação ao geral?

Hoje, podemos dizer que as indústrias da América Latina, Brasil incluído, claro, estão muito alinhadas com as suas congêneres da Europa e dos Estados Unidos. A indústria brasileira utiliza muita biomassa e o coprocessamento de resíduos em seus processos produtivos. Estudos internacionais mostram que aproximadamente 5% das emissões de CO2 de origem antrópica no mundo provêm da produção de cimento [no Brasil, esse percentual é de 1,4%, segundo o último Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa, divulgado em 2010].

 

Mas há espaço para melhorar esse desempenho ambiental das indústrias brasileiras, não?

Sim. As indústrias brasileiras de cimento utilizam muita biomassa, cerca de 12% de sua matriz energética vêm da queima de carvão vegetal e, secundariamente, de resíduos da agricultura, como a palha de arroz. Além disso, os fabricantes de cimento brasileiros fazem a queima de resíduos por coprocessamento, representando cerca de 8% de sua matriz energética. Mas o grande espaço para aumentar essa ação ambientalmente positiva seria na utilização do lixo urbano e rejeitos de esgoto, que na Europa respondem por 70% do coprocessamento de energia. No Brasil, esse percentual é zero.

 

Se pensarmos que, das 63 milhões de toneladas de lixo produzidas no Brasil por ano, das quais 30% têm potencial de reciclagem, mas apenas 3% são reciclados, podemos medir o quanto poderia ser reaproveitado aqui, não?

Sim. Mas, para isso ser adotado na indústria de cimento no Brasil, seria necessário haver acordo com os municípios e, no caso do lixo, a adoção de coleta seletiva em larga escala. Este seria um passo muito importante para diminuir ainda mais as emissões da indústria de cimento brasileira, tornando-a mais ecoeficiente do que já é.

 

Qual a sua visão em relação ao futuro, na questão ambiental e da indústria?

Acredito que, se quisermos agir para evitar as mudanças climáticas, que já estão acontecendo e de forma drástica, precisamos implementar um plano de trabalho para que cada companhia faça mais para mitigar os impactos ambientais e que mais indústrias passem a integrar esse time que busca fazer mais para reduzir os efeitos negativos no clima. Mas creio que isso – a participação das indústrias – já está acontecendo. Precisamos trabalhar para que aconteça cada vez mais rápido e em maior escala, se quisermos ter um planeta melhor para as futuras gerações.

 

Data: 20/8/2014

Fonte: http://www.portalprisma.com.br/novosite/noticia.asp?cod=6982

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Coprocessamento é alternativa para descarte correto dos resíduos industriais em Mato Grosso

Da Redação da Folhamax*

 

Para apresentar e discutir alternativas sustentáveis para destinação correta dos resíduos industriais, a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) e a Votorantim Cimentos promovem o Ciclo de Palestras ‘Resíduos Sólidos: O que fazer?’. O evento, direcionado para empresários industriais associados aos Sindicatos Patronais, será gratuito e acontece dia 03 de junho, às 18h30, no auditório do Sistema Fiemt, em Cuiabá.

Ambientalmente, o coprocessamento é a alternativa que apresenta melhor custo/benefício, sendo utilizada em diversos países como o Canadá, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Bélgica, e usada no Brasil desde o início da década de 90. Entre as principais vantagens estão: a eliminação definitiva de resíduos industriais e passivos ambientais; fonte alternativa de energia; preservação de recursos energéticos não renováveis pela substituição do combustível convencional; preservação de jazidas; contribuição à saúde pública e geração de novos empregos.

No Brasil, a atividade de coprocessamento na indústria cimenteira é regulamentada por lei (Resolução CONAMA Nº 264) e recebe resíduos líquidos, pastosos, sólidos, energéticos, materiais contaminados, triturados e outros como serragem de madeira, óleos usados, resíduos de áreas impactadas (solo e areia contaminados), resíduos orgânicos, borras de tintas, pneus e solventes de indústrias químicas são exemplos de rejeitos que são aproveitados.

“Pretendemos reforçar com os empresários a responsabilidade que cada um tem com a gestão adequada dos resíduos, além de apresentar alternativas para que o descarte seja efetuado de forma correta. Ao ter esse cuidado o empresário evita transtornos futuros e, principalmente, contribui com o desenvolvimento sustentável”, disse o presidente do Sistema Fiemt, Jandir Milan.

O coordenador comercial de coprocessamento da Votorantim, Edson Rodriguez, vai ministrar a palestra ‘Destinação de resíduos sólidos industriais via a tecnologia de Coprocessamento, uma solução ao problema atual’. A especialista em direito agroambiental, Alessandra Panizi, vai abordar a ‘Responsabilidades na Gestão de Resíduos’. E a assessora técnica da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema), Solange Cruz, vai explicar a ‘Política Nacional e Estadual de Resíduos Sólidos’. Após as apresentações será realizado um debate com os participantes. Os interessados podem se inscrever pelo formulário online. Mais informações pelo telefone (65) 3611-1679 ou pelo e-mail cointec@fiemt.com.br

 

Palestrantes

Edson Rodriguez atua há mais de 20 anos nas áreas comercial e operações, em segmentos produtivos e de serviços. Possui participação em planejamento e implantação de projetos de instalações para tratamento de resíduos e desenvolvimento de novos negócios relacionados à área ambiental. Já foi presidente da Câmara de Resíduos Sólidos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) e presidente do Instituto de Desenvolvimento de Estudo Logístico, Transporte e Meio Ambiente (IDELT).

Alessandra Panizi atua exclusivamente com Direito Ambiental. Ela é membro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Cehidro) e membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados de Mato Grosso (OAB-MT). Ela foi membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), e foi diretora de Recursos Hídricos da Fundação Estadual de Meio Ambiente. É docente em curso de graduação e de pós-graduação em universidades no Estado. Atualmente, é assessora ambiental da Fiemt.

Solange Cruz é analista de tecnologia ambiental da Sema, onde atua nas Superintendência de Educação Ambiental e de Indústria, Mineração, Infraestrutura e Serviços, e nas Coordenadorias de Mineração e de Gestão de Resíduos Sólidos. Mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela Universidade Federal de Mato Grosso, está desenvolvendo o projeto ‘Regionalização da Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e Elaboração do Plano Estadual de Resíduos Sólidos’, além do ‘Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana, Cuiabá-MT com coleta seletiva’. Solange é docente em cursos de graduação e de pós-graduação em universidades de Mato Grosso.

 

 

*Fonte: Extraído de http://folhamax.com.br/cidades/coprocessamento-e-alternativa-para-descarte-correto-dos-residuos-industriais-em-mato-grosso/10477 in 28 de maio de 2014

 

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Laboratório de meio ambiente: serviços de amostragem e análises

Laboratório de meio ambiente: serviços de amostragem e análises

 

Conte com a ABCP para coletar, analisar e monitorar emissões industriais. Peça um orçamento.

 

A ABCP é acreditada pelo INMETRO para a realização de amostragem de emissões atmosféricas e respectivas análises.

 

Para a concessão ou renovação do licenciamento de atividades industriais, como a de coprocessamento, as regulamentações estaduais e federais estabelecem limites máximos de emissão de poluentes na atmosfera, além de exigirem o monitoramento periódico dessas emissões.

A avaliação das emissões, feita com base em normas nacionais e internacionais e posterior análise em laboratório especializado, é realizada pela amostragem dos gases liberados na chaminé.

Decretos estaduais recentes têm exigido que as coletas e análises sejam realizadas por laboratórios devidamente acreditados pelo INMETRO segundo a Norma NBR ISO/IEC 17025 (Requisitos Gerais para a Competência de Laboratórios de Ensaio e Calibração).

Com corpo técnico especializado e laboratório bem equipado, a ABCP está preparada para atender à demanda da indústria e está acreditada pelo INMETRO para a realização de amostragem de emissões atmosféricas e respectivas análises.

A ABCP realiza ainda ensaios de caracterização dos resíduos para fins de coprocessamento, avaliação ambiental do clínquer e cimento coprocessados, entre outros, todos também com acreditação INMETRO.

Conheça os ensaios que a ABCP está apta a realizar:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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