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Ministérios finalizam regulações que contemplam o coprocessamento

Ministérios finalizam regulações que contemplam o coprocessamento



Mesa do evento de apresentação do Mapeamento Tecnológico do Cimento, Roadmap Brasil, tendo ao centro o ministro de Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles (quarto a partir da esquerda), e o presidente do SNIC e ABCP, Paulo Camillo Penna (quinto a partir da esquerda)

 

Promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidades representativas da indústria brasileira do cimento, realizou-se na manhã da última quarta-feira (3/4/2019), na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, o evento de lançamento e apresentação do Mapeamento Tecnológico do Cimento, Roadmap Brasil, que traça as principais diretrizes e ações para a redução das emissões na indústria cimenteira do Brasil.

Perto de 150 pessoas, entre autoridades, lideranças empresariais, executivos da indústria do cimento do país e especialistas brasileiros e estrangeiros, lotaram o plenário do 15º andar da CNI para conhecer e debater os desafios e oportunidades de redução da pegada de carbono do setor, no horizonte de 2050, assistindo antes da abertura oficial do encontro a um vídeo especialmente preparado sobre o Roadmap.

Logo após a saudação inicial de boas-vindas do presidente do SNIC e ABCP, Paulo Camillo Penna, o ministro de Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, fez importante pronunciamento, destacando o protagonismo, parceria e contribuições realistas e ambiciosas da indústria do cimento na direção de uma economia de baixo carbono, desde a época em que ocupou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente em São Paulo. Em sua manifestação, o ministro ressaltou a relevância do coprocessamento, conforme os trechos a seguir:

“Ao assistir esta apresentação (vídeo), meu caro amigo Paulo, fico ainda mais confiante e reforça nossa convicção que é de fato prioridade numero 1 do Ministério de Meio Ambiente do presidente Jair Bolsonaro a agenda de qualidade ambiental urbana.”

“E para a indústria especificamente do cimento o que nós já fizemos que interessa, e que tem consenso com o tema de hoje, é o fato de ontem nós conseguirmos fechar a minuta final de uma portaria interministerial conjunta, cujo conceito foi debatido entre eu, o ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, e o ministro Gustavo Canuto, do Desenvolvimento Regional, para normatizar e dar as diretrizes para utilização dos resíduos no coprocessamento, enfim nas fontes alternativas de energia para queima. Mas é uma norma muito enxuta, no sentido técnico, para dar objetivamente o tratamento que precisa ser dado, sem robustecer barreiras que são meramente filosóficas e dogmáticas. Tenho certeza que isso vai ajudar muito na solução que é boa para o setor, para mudanças climáticas e boas para a solução dos resíduos dos municípios. Todos ganham. Certamente não é a solução final. Precisa ser ajustada. Mas tudo a seu tempo.”


Plenário da CNI, que acolheu o evento

 

Presentes ao evento encontravam-se também o secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Alexandre Vidigal de Oliveira, os senadores Rodrigo Pacheco, líder do DEM, e Marcos Rogério, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, o diretor geral daAgência Nacional de Mineração (ANM), Victor Bicca, o presidente da Frente Parlamentar Mista da Economia Verde, deputado federal Arnaldo Jardim, além dos deputados federais Vinicius Carvalho e Enrico Misasi.

Coube ao secretário nacional de Energia Elétrica do MME, Ricardo Cyrino, representando o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o pronunciamento de encerramento da solenidade de abertura.

Conferências

Uma conferência internacional, proferida pela diretora de Cimento da recém-constituída Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, Global Cement and Concrete Association), Claude Loreá, sob o título “O caminho para a Sustentabilidade do Cimento e do concreto”, mostrou, gerando grande interesse do plenário, as ações sobre os aspectos ambientais que conduzem a indústria mundial do cimento na direção da economia de baixo carbono. A edição do jornal “Valor Econômico” desse mesmo dia trouxe ampla entrevista com a convidada internacional, sob o título “Indústria do cimento discute corte na emissão de carbono” (ver link).

Outra conferência, conduzida pelo especialista em meio ambiente do SNIC, Gonzalo Visedo, que co-coordenou o trabalho ao lado do professor José Goldemberg, tratou dos aspectos técnicos do Roadmap Brasil.

Painéis

A segunda parte do encontro foi composta de dois painéis, um sobre as ações já realizadas até o momento pela indústria brasileira e outro sobre as ações futuras, ambos com moderadores e panelistas profissionais destacados e experientes da indústria brasileira do cimento. Deles também tomaram parte especialistas da Corporação Financeira Internacional (IFC) – membro do Grupo Banco Mundial -, bem como a diretora geral da Federação Interamericana do Cimento, Maria José Garcia.

O jornal “Correio Braziliense” trouxe na edição do dia seguinte, 4 de abril, reportagem sobre o encontro (ver link).


Ministro Ricardo Salles (MMA) e Paulo Camillo Penna (SNIC/ABCP)

 

O Roadmap e suas propostas

O Roadmap Brasilfoi desenvolvido com a contribuição daAgência Internacional de Energia (IEA), Iniciativa de Sustentabilidade do Cimento (CSI) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvi­mento Sustentável (WBCSD), Corporação Financeira Internacional (IFC) – membro do Grupo Banco Mundial – e um seleto grupo de acadêmicos-pesquisadores de renomadas universidades e centros de pesquisa do país, sob a coordenação técnica do professor e ex-ministro José Goldemberg. A iniciativa teve o objetivo de elencar uma série de medidas capazes de acelerar a transição rumo a uma economia de baixo carbono no setor cimenteiro.

O compromisso deste trabalho é contribuir para a redução da intensidade carbônica em 35% até 2050, com base nos valores atuais. Para tanto, elencou medidas que se concentram em quatro principais pilares: (i) adições e substitutos de clínquer (produto intermediário do cimento), por meio do uso de subprodutos de outras atividades; (ii) combustíveis alternativos, com a utilização de biomassas e resíduos com poder energético em substituição a combustíveis fósseis não renováveis; (iii) medidas de eficiência energética, mediante investimentos em linhas e equipamentos de menor consumo térmico e/ou elétrico; (iv) tecnologias inovadoras e emergentes, através da pesquisa e desenvolvimento em tecnologias disruptivas, como a captura de carbono.

As soluções apresentadas no evento deste dia 3 de abril são realistas e as reduções almejadas, ambiciosas. A transição da indústria do cimento sugerida no documento só pode ser alcançada mediante uma estrutura reguladora de apoio e investimentos efetivos e sustentados.

O roteiro mapeia políticas públicas necessárias, avalia mecanismos de fomento e descreve desafios técnicos para alcançar a ambição proposta.

O documento na íntegra e seu encarte (resumo) estão disponíveis para download nos links:

Roadmap Tecnológico do Cimento – Brasil (Book – 6,9 Mb)

Roadmap Tecnológico do Cimento – Brasil (Encarte – 1 Mb)

Assista também ao vídeo “Mapeamento Tecnológico do Cimento: Roadmap Brasil 2019”.

 

ROADMAP TECNOLÓGICO DO CIMENTO

O cimento é insumo fundamental da cadeia produtiva da indústria da construção, componente básico de concretos e argamassas e o material feito pelo homem mais utilizado no planeta.

Ele é também elemento imprescindível ao desenvolvimento da infraestrutura no país, hoje deficitária. O cimento é base para a construção de casas, escolas, hospitais, estradas, ferrovias, portos, aeroportos, obras de saneamento e energia, entre muitas outras que proporcionam saúde e bem-estar à população e atendem às exigências da vida moderna.

O Brasil, como país em desenvolvimento, tem um importante programa de infraestrutura a ser implementado, e o aumento da população, aliado aos seus crescentes padrões de urbanização, deverá impulsionar a deman­da por cimento nas próximas décadas.

O processo produtivo de cimento é intensivo na emissão de gases de efeito estufa. A indústria cimenteira responde, globalmente, por cerca de 7% de todo o gás carbônico emitido pelo homem. Apesar disso, no Brasil, muito em função de uma série de ações que o setor vem implementando há anos, esta participação é de cerca de 2,6%.

Particularmente, o Brasil é um dos países que emite menor quantidade de COpor tonelada de cimento no mundo. Esta posição de destaque, ao mesmo tempo em que é um reconhecimento ao esforço do setor no combate às mudanças climáti­cas, representa um enorme desafio: produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, buscando ao mesmo tempo soluções para reduzir ainda mais as suas emissões de CO2.

Pensando nisso, a indústria do cimento nacional, em colaboração com a IEA, IFC (do Banco Mundial), WBCSD e diversos especialistas desenvolveram este Roadmap Tecnológico do Cimento. Nele, são apresentadas diferentes alternativas de mitigação das emissões da indústria nacional a curto, médio e longo prazos. Com isso, se adequar a cenários condizentes com o de menor impacto climático, limitando o aumen­to da temperatura global em até 2°C.

O estudo também identifica barreiras ou gar­galos que limitam a adoção dessas alternativas e, com base nisso, propõe uma série de recomendações de políticas públicas, instrumentos de fomento, regu­lações, aspectos normativos, entre outros, capazes de potencializar a redução das emissões do setor e acelerar sua transição a uma economia de baixo carbono.

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Votorantim premiada por coprocessamento no Tocantins

Fábrica de Xambioá (Foto: Divulgação Votorantim)

 

Em 2017, unidade de Xambioá deixa de enviar resíduos ao aterro sanitário para usar na produção de clínquer

Por Fausto Oliveira

A Votorantim Cimentos, maior cimenteira do Brasil, foi reconhecida com o Prêmio Mérito Ambiental do Estado de Tocantins por suas práticas de coprocessamento na unidade de Xambioá. Ao utilizar resíduos de diferentes origens, todos gerados na própria fábrica, para produzir o clínquer, em 2017 Xambioá não destinou resíduos ao aterro sanitário do Tocantins.

O coprocessamento é uma adaptação técnica da produção de clínquer. Trata-se de inserir no forno de moenda resíduos que podem ser queimados e gerar energia térmica. Com isto, se evita a queima de combustíveis fósseis, e as cinzas resultantes por esta combustão de resíduos se integra quimicamente à estrutura do clínquer. Assim, o coprocessamento é considerado cada vez mais uma prática correta na indústria cimenteira global, para reduzir os impactos do cimento no meio ambiente.

Na unidade de Xambioá, os resíduos queimados no forno são de todo tipo: de acordo com a Votorantim, equipamentos de proteção individual, embalagens de produtos químicos e pó de serra de limpeza de maquinário, entre outros.

Hoje em dia, a Votorantim Cimentos realiza coprocessamento em 15 fábricas no país. Sua meta é chegar a 30% de uso de resíduos para queima de clínquer em todas as suas fábricas no mundo, até 2020. No Brasil, no ano passado, 25% de todo o combustível usado foram renováveis.

Fonte: Concreto Latino-Americano / KHL (15/06/2018)

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Coprocessamento no 60º Congresso Brasileiro do Concreto

Geólogo Arnaldo Battagin, gerente de Tecnologia da ABCP, em palestra sobre coprocessamento

No 60º Congresso Brasileiro do Concreto, realizado de 17 a 21 de setembro em Foz do Iguaçu-PR, foi proferida a palestra “Panorama do Coprocessamento de Resíduos em Fornos de Cimento no Brasil” pelo geólogo Arnaldo Battagin, gerente de Tecnologia da ABCP, tendo como co-autor o engenheiro Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da mesma entidade.

Além de um inventário estatístico sobre os tipos de resíduos utilizados como substitutos de matérias-primas e combustíveis tradicionais, a palestra abordou a influência do coprocessamento na qualidade do clínquer. Foi mostrado que os elementos menores  no cimento provenientes do uso de resíduos coprocessados ficam em solução sólida na estrutura de silicato de cálcio e, dessa forma, não são lixiviados do concreto, não devendo ser motivo de preocupação de consumidores de cimento com a qualidade, durabilidade e o desempenho de cimento com clínquer processado.

A apresentação, bem como o “paper” completo, podem ser consultados por meio dos links abaixo.

Panorama do Coprocessamento de resíduos em Fornos de Cimento no Brasil:

(Apresentação)  (Paper)

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DF promove seminário sobre coprocessamento

 

 

A Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) realizou na última quarta-feira (19/09/2018), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal e com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o seminário “Coprocessamento de Resíduos”. O evento, que procura ampliar o debate sobre o tema, sucedeu à concessão, pelo Governo do DF, de licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal: a Votorantim Cimentos (renovação e ampliação da licença existente desde 1991) e a Ciplan (autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus).

Dividido em dois painéis (veja quadro com a Programação), o seminário abordou o panorama do coprocessamento no Brasil; a gestão dos resíduos sólidos e o potencial para recuperação energética; a geração de combustível derivado de resíduos no Distrito Federal; e o licenciamento ambiental para coprocessamento. O evento teve 71 participantes, representando entidades e empresas*. A ABCP foi representada por seu presidente, Paulo Camillo Penna,que compôs a mesa, e Mário William Esper, diretor de Relações Institucionais, que proferiu a palestra “Panorama do Coprocessamento no Brasil”.

Potencial econômico e ambiental

O coprocessamento é considerado uma alternativa sustentável e adequada à destinação de resíduos. Ele aumenta a vida útil dos aterros e contribui para a redução dos gases de efeito estufa, tanto pela não geração de metano da decomposição do lixo quanto pela substituição como combustível em função de seu conteúdo de biomassa. Marcontoni Montezuma, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Fibra, observou que “não existem muitas razões” para que o coprocessamento não se efetive, dado o atual controle dos processos industriais. Para ele, o seminário reuniu entes decisivos para que isso se torne realidade no Distrito Federal.

Por enquanto, as cimenteiras de Brasília só podem fazer o coprocessamento de pneus, não de outros resíduos, como industriais, urbanos (comerciais e residenciais) e os da agricultura. Apenas Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo têm regulamentação nesse sentido. Porém, é fato que a utilização de resíduos em fornos de cimento como substitutos de combustíveis e matérias-primas convencionais atende ao preconizado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, e contribui para a economia circular. Em muitos países da Europa onde a legislação baniu os aterros sanitários, os combustíveis derivados de resíduo (CDR) produzidos a partir de resíduos urbanos, comerciais e industriais não perigosos após triagem dos recicláveis tornaram-se uma ferramenta na gestão de resíduos.

 

Resultados concretos

Em 2016, o Brasil destruiu aproximadamente 1 milhão de toneladas de resíduos em fornos de cimenteiras. “Nesse sistema, os resíduos são transformados em potenciais subprodutos ou outros materiais, promovendo a reciclagem, a reutilização e a recuperação. A indústria do cimento do Brasil vem utilizando resíduos em seus fornos desde a década de 1990 e atualmente a substituição térmica está em torno de 10%. Na Europa, chega a 90%”, explicou o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo.

O presidente do Ibram, Aldo César Vieira, mostrou-se favorável à ampliação do coprocessamento no Distrito Federal, destacando que ele traz benefício para a indústria quanto ao custo do produto e movimenta a cadeia produtiva. “No final, é um processo que vai beneficiar a sociedade como um todo. Espero que essa parceria para tratar desse assunto continue, não só com o setor produtivo, mas também com o Ministério Público, que está conosco nesse esforço”, disse. A promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Cristina Rasia, também participou do debate.

Próximos passos

Considerado um sucesso pela qualidade do conteúdo e dos apresentadores, o seminário deve agilizar o licenciamento do coprocessamento para combustível derivado de resíduo (CDR) nas duas fábricas do Distrito Federal. Para tanto, o próximo passo é a elaboração de uma resolução do Distrito Federal para CDR. Além disso, o encontro previu a elaboração, em conjunto com o Ministério das Cidades, de uma agenda para coprocessamento de CDR em todo o Brasil; e o agendamento de uma visita da Fibra, Promotoria Pública e Ministério das Cidades a uma unidade de produção de CDR localizada em Recife (PE).

Texto baseado em informações de: Aline Roriz / Sistema Fibra

Foto: Moacir Evangelista / Sistema Fibra

*  Entidades e empresas participantes: Fibra e Ibram, Sema, SEDICT, MPDFT, ABCP, Ibama, SLU, Adasa, CEB, Ministério das Cidades, CNI, UnB, Sindimam, Instituto Lixo Zero, Exército Brasileiro, Votorantim, Ciplan, Combral e JC Gontijo, Bonasa, Valor Ambiental, Scom Ambiental e Corsap DF/GO.

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Governo do DF concede licenças ambientais para cimenteiras do Fercal

Governo do DF concede licenças ambientais para cimenteiras do Fercal

 

O governo do Distrito Federal entregou licenças ambientais para coprocessamento de pneus a duas cimenteiras instaladas na Fercal. A Votorantim Cimentos faz esse trabalho no DF desde 1991 e conseguiu a renovação e ampliação da licença, enquanto a Ciplan foi autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus.

O coprocessamento de pneus e biomassa substitui parte do combustível fóssil na fabricação de cimento. A medida contribui para reduzir o uso de recursos naturais não renováveis e a emissão de CO2, além de diminuir o volume de resíduos enviados ao aterro sanitário. O forno de cimento garante a total eliminação térmica dos resíduos e a incorporação das cinzas no processo de fabricação, sem comprometer a qualidade do produto. O coprocessamento exerce ainda papel importante para a saúde pública, uma vez que auxilia a evitar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya, por exemplo.

A licença foi assinada pelo secretário da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, pelo secretário do Meio Ambiente, Felipe Ferreira, e pelo secretário-geral do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Ricardo Roriz. Compareceram o gerente da Votorantim no Distrito Federal, Waldir Gomides, o presidente da Ciplan, Sergio Bautz, e o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Marcontoni Montezuma.

“A Fibra lutou muito, ao lado das cimenteiras, para conseguir essas licenças. Enxergamos isso como um grande avanço, pois diminui os resíduos, além de destravar o emprego e o investimento. São empresas extremamente industrializadas, que sabem o que estão fazendo e vão trazer benefícios enormes à sociedade”, disse Montezuma.

Com o volume que já era licenciado, a Votorantim eliminava 1,5 tonelada de pneus por hora. Agora, a capacidade será quadruplicada. “A gente pode chegar a 3 mil pneus de caminhão por dia destruídos imediatamente nesse processo, sem alteração de características de produto, ou 9 mil unidades de pneus de carros de passeio por dia. Esse é um trabalho feito em várias vias do poder público, da sociedade e do setor industrial e envolve uma questão de saúde pública e de vigilância sanitária”, afirmou o representante da Votorantim.

A Ciplan, por sua vez, aguardava a licença havia vários anos para dar início ao coprocessamento em suas instalações. Agora, está autorizada a executar as obras que viabilizam a queima dos pneus. “Mais que substituir um combustível de fonte não renovável, temos a oportunidade de fazer uma adequação ambiental no quesito de redução de emissão de CO2 e de eliminar a quantidade de pneus expostos de maneira irregular”, explicou o presidente da empresa, que destacou os benefícios ambientais, econômicos e sociais especialmente para a região da Fercal.

 

Coprocessamento de resíduos

O Brasil gera anualmente 63 milhões de toneladas de resíduos sólidos. A quantidade de lixo cresceu 21% só na última década, mas o tratamento adequado dado a esses resíduos não aumentou. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, só 3% dos resíduos sólidos produzidos nas cidades brasileiras são reciclados, apesar de um terço de todo o lixo urbano ser potencialmente reciclável.

O combustível derivado de resíduos pode, portanto, ser uma importante ferramenta de desenvolvimento sustentável para as economias regionais. Os empresários destacaram a importância desse coprocessamento não se restringir aos pneus: é preciso analisar o trabalho com resíduos triturados, restos de obras e resíduos sólidos urbanos para seguir o caminho da evolução de maneira sustentável.

Pensando em dar continuidade para esse debate, a Fibra receberá o seminário Coprocessamento de Resíduos em 19 de setembro, a partir das 14 horas. A programação inclui painéis sobre gestão de resíduos sólidos, potencial para recuperação energética, panorama de coprocessamento no Brasil, geração de combustíveis derivados de resíduos e planos e metas do poder público. Para se inscrever no evento, entre em contato pelo telefone (61) 3362-6190.

Texto: Aline Roriz

Foto da assinatura: Helio Montferre/Sistema Fibra

Foto da indústria: Moacir Evangelista/Sistema Fibra

Assessoria de Comunicação do Sistema Fibra

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Mapeamento Tecnológico do Cimento 2050

 

O debate sobre mudanças climáticas é questão importante para a indústria de cimento, uma vez que a emissão de COé inerente ao seu processo de produção. Conhecer a projeção de emissões setoriais a médio e longo prazo e seu respectivo potencial de redução é essencial para avançar na direção de uma economia de baixo carbono.

Mas o Mapeamento Tecnológico do Cimento é apenas uma das iniciativas da indústria em defesa do meio ambiente. Ao seu lado está a adoção do coprocessamento de resíduos industriais, que contribui para preservar recursos não renováveis, reduzir o impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e diminuir o passivo ambiental dos aterros.

Roadmap Brazil

Atentos a isso, a ABCP e o SNIC propuseram o desenvolvimento do Projeto Cement Technology Road Map Brazil 2050 em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Cement Sustainability Initiative (CSI), do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). Assim, a indústria brasileira de cimento iniciou em fins de 2014 um roteiro com o desafio de encontrar soluções para reduzir ainda mais as emissões de dióxido de carbono, que já são as mais baixas do mundo.

No caso particular da indústria brasileira de cimento, a combinação de várias ações, algumas iniciadas há décadas, outras mais recentemente, ajudou a posicionar o setor brasileiro de cimento entre os mais eficazes em termos e emissão de CO2por tonelada de cimento produzido, de acordo com a CSI.

O objetivo do estudo abordado pelo Roadmap é traçar a projeção do total das emissões provenientes da produção de cimento, identificando as principais alternativas para reduzir essas emissões e minimizar o impacto do setor nas mudanças climáticas. As propostas de alternativas de redução que estão em andamento são focadas em quatro pilares:

  • ► eficiência energética
  • ► combustíveis alternativos
  • ► substitutos de clínquer
  • ► captura e armazenamento de carbono

Os estudos estão sendo preparados por uma equipe de renomados especialistas das principais universidades e centros técnicos no Brasil, proporcionando, além do conhecimento internacional, uma visão geral das características, limitações e potencialidades locais. Para cada uma das quatro propostas estão sendo considerados:

  • ► Cenário atual das alternativas: investigação das principais alternativas de redução, sua disponibilidade, disposição geográfica etc.
  • ► Cenário futuro das alternativas: projeção de crescimento potencial e disposição geográfica destas principais alternativas e estimativa das emissões evitadas etc.
  • ► Inovação: perspectivas de novas alternativas de redução e inovações tecnológicas em relação às já existentes.
  • ► Barreiras: principais barreiras (geográficas, técnicas, econômicas, legais, sociais, políticas etc.) que possam limitar o crescimento das alternativas abordadas.
  • ► Recomendações: desenvolvimento de série de recomendações para todas as partes interessadas (indústria, governo, academia, sociedade), para ajudar a superar as barreiras acima e fomentar essas alternativas.

Os resultados e conclusões dos documentos técnicos estão previstos para 2019, juntamente com os modelos de projeção e redução de emissões, executados por especialistas da IEA.

 

 

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ABCP no 11º CSI Forum

Da esquerda para a direita: Paulo Camillo Penna (presidente do SNIC e da ABCP); Lívia Ballot de Miranda (Votorantim); Álvaro Lorenz (Votorantim); Marcelo Pecchio (ABCP) e Gonzalo Visedo (SNIC)

A ABCP participou, entre os dias 25 e 27 de setembro de 2017, do 11º Forum da Cement Sustainability Initiative (CSI), realizado em Nova Delhi, Índia. Nessa reunião foram debatidos os 17 Objetivos de Sustentabilidade (Sustainability Development Goals – SDGs) definidos pela Organização das Nações Unidas para o ano de 2030 e o papel da indústria de cimento.

O objetivo dessas discussões é articular uma visão comum e mapear o nível de impacto no setor, e também elencar as possíveis contribuições da indústria de cimento para a realização dos SDGs. Nesta oportunidade também se realizou a reunião dos parceiros de comunicação da CSI, na qual além das questões do posicionamento da indústria frente aos SDGs foram discutidas e atualizadas as informações relativas aos roadmaps do Brasil, da Ficem e da nova versão do roadmap global, que está em fase final de elaboração.

 

 

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Seminário sobre coprocessamento em Curitiba

A destinação adequada e sustentável de resíduos e de passivos ambientais em fornos de cimento, técnica conhecida como coprocessamento, é o tema central de um seminário que reuniu no dia 18/04/2018 mais de 100 pessoas – entre autoridades, executivos e técnicos – em Curitiba-PR. Realizado pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), o Seminário Coprocessamento de Resíduos na Indústria de Cimento foi uma promoção do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e contou com o apoio de três grupos industriais da área de cimento: Itambé, Supremo Secil e Votorantim Cimentos.

As boas vindas do evento coube a Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC, juntamente com Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que foram acompanhados na solenidade de abertura por autoridades da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad/MG), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Paraná e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Durante a manhã, a programação ofereceu informações relevantes sobre a prática do coprocessamento e sua contribuição para a redução dos gases de efeito estufa, bem como as ações da indústria do cimento em favor do meio ambiente – caso, por exemplo, da palestra “ABCP e SNIC – RoadMap”, proferida por Gonzalo Visedo, analista de Meio Ambiente do SNIC.

Uma abordagem sobre a normalização técnica na área coube a Milton Norio Sogabe, gerente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que tratou do tema “Norma para coprocessamento de CDRU no Estado de São Paulo”, e Antônio Augusto Melo Malard, subsecretário de Regularização Ambiental da Semad/MG, que falou sobre a “Revisão da DN 154 – Coprocessamento de resíduos”.

À tarde, a programação trouxe Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Monitoramento Ambiental e Controle da Poluição do IAP, que destacou a experiência paranaense na palestra “Licenciamento de resíduos para coprocessamento”, e Regina Froener, chefe do Serviço de Licenciamento de Atividades Industriais em Implantação – SELAI, da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul), que abordou “Gerenciamento de resíduos – Portaria 16”. Por fim, o Estado de Santa Catarina foi representado por Fábio Castagna da Silva, gerente de Gestão de Processos Ambientais da FATMA (Fundação Meio Ambiente de Santa Catarina), que apresentou o “Manifesto eletrônico de transporte de resíduos”.

Após as apresentações, o seminário seguiu com debates sobre os temas tratados, sob a coordenação do gerente de Relações Institucionais da ABCP, Mário William Esper.

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Coprocessamento aproveita diferentes tipos de resíduos

 

Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da ABCP

Em 2015, a indústria nacional de cimento coprocessou 1,5 milhão de tonelada de resíduos, o que representa substituição de 13,4% da matriz de combustíveis. Entretanto, o setor tem potencial de atingir a ordem de 2,5 milhões de toneladas e 25% de substituição. “Para esse avanço, é importante que haja o estabelecimento de políticas públicas que incentivem a atividade. Há países na Europa em que os índices chegam a 100%”, informa Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

O coprocessamento é uma técnica utilizada na fabricação do cimento que reduz a quantidade de resíduos gerada durante o procedimento. O método é executado por meio da queima de materiais em fornos de cimento, o que promove a preservação de recursos naturais por substituir as matérias-primas tradicionalmente empregadas. Há mais de 25 anos, a solução é utilizada e regulamentada em diversos países. No Brasil, as primeiras iniciativas ocorreram no início da década de 1990.

 

“Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições
que comprovam que a técnica do coprocessamento
não altera a qualidade do produto final.”
Fernando Dalbon

Aproveitamento de materiais

Os materiais passíveis de aproveitamento no coprocessamento são variados, com destaque para pneus inservíveis – aqueles que chegaram ao fim da vida útil e precisam ser descartados; para o blend de resíduos – mistura de componentes industriais; para as borrachas; para o óleo usado; e para as biomassas – casca de arroz, cavaco de madeira e lama de tratamento de esgoto. Atualmente, os elementos mais aproveitados são os pneus inservíveis. “No ano passado, o material representou 43% do total de resíduos com potencial energético utilizado, seguido do blend, com 41%”, relata Dalbon.

O cimento resultante atende às normas técnicas específicas da ABNT e pode ser encontrado no mercado. Como as suas características não são alteradas, o produto é comercializado normalmente. “Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições que comprovam que a técnica não altera a qualidade do produto final”, diz Dalbon. A garantia da qualidade está presente em todas as legislações sobre o assunto.

Procedimento

O coprocessamento é realizado pelas indústrias de cimento que têm fornos rotativos para a produção do clínquer (matéria-prima básica do cimento). Esses equipamentos devem ser devidamente licenciados e monitorados pelos órgãos ambientais competentes. “Para isso, necessitam atender aos procedimentos e critérios técnicos e operacionais preconizados pelas legislações federal e estadual”, ressalta o especialista.

O calcário e a argila são as matérias-primas tradicionalmente queimadas nos fornos de cimento para a obtenção do clínquer, que, depois de resfriado e devidamente moído com outras adições, transforma-se nos diferentes tipos de cimento Portland. O forno rotativo de clínquer é o mais indicado para o tratamento de resíduos graças às suas altas temperaturas; ao ambiente oxidante e alcalino; à estabilidade térmica; e ao longo tempo de residência (referência ao tempo em que os gases permanecem dentro do forno).

“A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço
de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva,
associada com a recuperação de energia e materiais.”

Fernando Dalbon

As temperaturas internas do forno, no qual o resíduo é inserido, atingem cerca de 2.000ºC. “Devido ao calor extremo, os compostos orgânicos presentes nos materiais são destruídos com eficiência de 99,999%”, explica o engenheiro, destacando que os inorgânicos são incorporados à estrutura cristalina do clínquer, não gerando cinzas.

Vantagens

Além da preservação de recursos não renováveis, o coprocessamento proporciona outras vantagens, como a redução do impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e a diminuição do passivo ambiental dos aterros. “A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva, associada com a recuperação de energia e materiais. A utilização dos fornos de cimento representa importante ferramenta de gestão ambiental”, finaliza Dalbon.

Fonte: Redação AECweb / e-Construmarket

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Coprocessamento de resíduos: quais as vantagens?

Foto: Bigstock (Divulgação Sanetran)


Investir em coprocessamento de resíduos é tendência mundial

Por: Sanetran (15/07/2016)

coprocessamento de resíduos é uma alternativa sustentável e adequada para a destinação de resíduos, pois representa uma integração segura do material descartado com o processo de fabricação do cimento. O crescimento populacional e a crescente demanda por produtos eletrônicos, de beleza e vários outros segmentos trazem, entre outras consequências, aumento na geração de resíduos e consequentemente a busca por alternativas adequadas para a sua gestão. Ou seja, o coprocessamento é uma técnica usada para destruir resíduos industriais de maneira responsável e definitiva, sem a criação de passivos ambientais.

Ao mesmo tempo, é uma forma de substituir matérias-primas e combustíveis fósseis, recuperando energia e materiais que seriam desperdiçados, preservando recursos para gerações futuras. Essa solução vem sendo cada vez mais usada em todo o mundo e é adotada por países desenvolvidos desde a década de 1970.

A combustão é a reação-chave do processo de fabricação de cimento, que transforma as matérias-primas em clínquer. A alta temperatura da chama, o tempo de residência dos gases, a turbulência no interior do forno e vários outros parâmetros da combustão na produção de cimento são ideais e até superiores aos padrões exigidos para a destruição ambientalmente segura de resíduos perigosos.

O coprocessamento de resíduos em fornos de cimento utiliza todos esses parâmetros de maneira integrada ao processo de fabricação de cimento. Desta forma, os fornos de cimento possuem capacidade de utilização segura de grandes volumes de resíduos. O coprocessamento não altera a qualidade do cimento e é praticado de forma segura e ambientalmente adequada tanto para os trabalhadores do setor quanto para a comunidade que reside em torno das fábricas.

Através do aproveitamento energético ou como matéria-prima, a destinação final dos resíduos no processo de fabricação de cimento impacta positivamente na conservação e na racionalização de recursos minerais e energéticos.

É também uma alternativa bastante competitiva em comparação com a disposição dos resíduos em aterros e incineração, caracterizando-se, ao contrário desses, pelo consumo de grandes volumes de resíduos sem geração de novos passivos ambientais.

Quais as vantagens para minha empresa?

  • Devido à destruição total dos resíduos, cessa a preocupação com a administração dos resíduos em um aterro;
  • O certificado de destruição total tem valor legal e servirá como um atestado de regularização da empresa em relação à legislação ambiental;
  • Como parte de sua prestação de serviços, a Sanetran possui empresas parceiras que fornecem uma avaliação quali-quantitativa inicial dos resíduos, que vai identificar se os materiais que são passíveis do coprocessamento de resíduos, conforme a legislação vigente. Havendo esta possibilidade, o resíduo passa por uma etapa intermediaria onde é processado e depois destinado à industria de cimento que inclui os resíduos já processados em seu fluxo de produção.

Fonte:http://sanetran.com.br/coprocessamento-de-residuos-quais-as-vantagens/

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